{"id":2266,"date":"2022-06-15T14:31:33","date_gmt":"2022-06-15T14:31:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/?p=2266"},"modified":"2022-06-15T16:57:49","modified_gmt":"2022-06-15T16:57:49","slug":"tim-marshall-o-mundo-vai-voltar-a-ser-bipolar-no-final-da-decada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/transicao-energetica\/tim-marshall-o-mundo-vai-voltar-a-ser-bipolar-no-final-da-decada\/","title":{"rendered":"Tim Marshall: \u201cO mundo vai voltar a ser bipolar no final da d\u00e9cada\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>O mundo est\u00e1 a viver tempos conturbados com crises globais sobrepostas, provocadas pela pandemia de covid-19, pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que est\u00e3o a ditar uma necess\u00e1ria transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e com um rev\u00e9s provocado pela guerra na Ucr\u00e2nia, que veio p\u00f4r mais press\u00e3o no fornecimento de energia, de alimentos e de diversos componentes industriais necess\u00e1rios ao resto do mundo. Ao mesmo tempo, as for\u00e7as gravitacionais da geopol\u00edtica est\u00e3o a alterar-se. Comparativamente com a \u00e9poca da Guerra Fria, que opunha EUA e R\u00fassia, \u201cvivemos agora num mundo multipolar que \u00e9 muito mais dif\u00edcil de compreender, porque h\u00e1 muitos poderes a disputar posi\u00e7\u00f5es\u201d, come\u00e7ou por dizer Tim Marshall, jornalista ingl\u00eas especialista em geopol\u00edtica na \u201cPortugal Energy Conference\u201d, uma iniciativa organizada pelo Neg\u00f3cios, S\u00e1bado e CMTV sobre o futuro da energia, que decorreu no passado dia&nbsp;8 de junho, em&nbsp;Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, analisando as principais movimenta\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas globais naquele que \u00e9 \u201cum mundo muito fluido\u201d, o jornalista acredita que \u201cvamos voltar a um mundo bipolar at\u00e9 ao final da d\u00e9cada. Desta vez com a China e os EUA e com a maioria dos pa\u00edses a ficarem atr\u00e1s e a reconhecerem esta realidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, na atualidade, \u00e9 a guerra na Ucr\u00e2nia que est\u00e1 a agitar o status quo do mundo. A escalada de pre\u00e7os da energia e os riscos de falta de alimentos j\u00e1 \u00e0 espreita provenientes dos dois protagonistas da guerra levam \u00e0 corrida por novos fornecedores nestas \u00e1reas-chave. \u201cA oferta restrita equivale a um problema de produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a pre\u00e7os mais elevados e isso levou a uma contra\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o e ao abastecimento local. Mas \u00e9 claro que h\u00e1 uma quantidade limitada de fontes, h\u00e1 competi\u00e7\u00e3o pelas fontes e \u00e9 preciso reconstruir a cadeia de abastecimento, que \u00e9 o que est\u00e1 a acontecer neste momento\u201d, explica Tim Marshall.<\/p>\n\n\n<div class=\"uk-margin-medium\"><iframe width=\"1280\" height=\"720\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/9NioWtnUsOc?showinfo=0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen data-uk-responsive loading=\"lazy\"><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p>No que toca \u00e0 depend\u00eancia do g\u00e1s da R\u00fassia, os pa\u00edses do Norte da Europa s\u00e3o os que enfrentam mais dificuldades, mas neste campo do fornecimento da energia \u201calguns dos poderes existentes podem fazer [das novas energias emergentes] uma oportunidade. O Reino Unido, por exemplo, n\u00e3o est\u00e1 mal na energia e\u00f3lica, especialmente na Esc\u00f3cia, e o mesmo acontece em Portugal, com a sua costa atl\u00e2ntica\u201d, referiu o especialista em geopol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o precisamente os impactos causados pela depend\u00eancia energ\u00e9tica da R\u00fassia, sobretudo a norte, que est\u00e3o a abrir uma brecha numa Europa que se uniu como nunca desde o passado dia 24 de fevereiro. Inicialmente, a Europa teve \u201cuma rea\u00e7\u00e3o brilhante. O problema surgiu nas \u00faltimas duas ou tr\u00eas semanas e h\u00e1 agora uma fragmenta\u00e7\u00e3o suave entre os pa\u00edses mais a norte e mais a sul. A Rep\u00fablica Checa, Pa\u00edses Baixos, Pol\u00f3nia, pa\u00edses do B\u00e1ltico e Reino Unido continuam firmes e t\u00eam a vis\u00e3o, tal como os EUA, de que a R\u00fassia tem de ser derrotada. Mas, mais a sul, liderada pela Fran\u00e7a e pela Alemanha, h\u00e1 agora a vis\u00e3o de que a situa\u00e7\u00e3o tem de acabar, devido \u00e0 enorme perda de vidas e impacto econ\u00f3mico que est\u00e1 a causar\u201d, refere Marshall. Ainda assim, tendo em conta a hist\u00f3ria b\u00e9lica da R\u00fassia e a sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica \u201cencapsulada\u201d pelo \u00c1rtico a norte, pela NATO a oeste, entre outras for\u00e7as, \u201ca n\u00e3o ser que se garanta seguran\u00e7a \u00e0 Ucr\u00e2nia, eles vir\u00e3o sempre \u00e0 procura de mais. Portanto, o melhor que se conseguia era adiar o problema por cinco anos\u201d. De qualquer forma, Marshall considera que esta guerra \u201cenergizou a Uni\u00e3o Europeia no sentido de saber para o que \u00e9 que ela serve, ou seja, para prevenir conflitos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista em geopol\u00edtica considera ainda que a guerra perpetrada pela R\u00fassia ter\u00e1 sido mal calculada por Vladimir Putin, n\u00e3o s\u00f3 por n\u00e3o esperar a resist\u00eancia da Ucr\u00e2nia, mas tamb\u00e9m por ter sido surpreendido por uma Europa que se reunificou e pela forte interven\u00e7\u00e3o dos EUA, ap\u00f3s estes terem \u201cfugido duramente\u201d, no ver\u00e3o passado, da sua interven\u00e7\u00e3o de 20 anos no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E se no plano terrestre EUA, China e R\u00fassia disputam protagonismo, com a dicotomia EUA\/China a desenhar-se, a luta segue tamb\u00e9m para o espa\u00e7o como um novo campo de batalha onde os mesmos pa\u00edses j\u00e1 est\u00e3o a medir for\u00e7as, destacou Marshall.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas crises globais sobrepostas e um mundo atual multipolar tornam dif\u00edcil uma leitura das for\u00e7as geopol\u00edticas em jogo. A guerra na Ucr\u00e2nia teve o m\u00e9rito de conseguir reunificar a Europa, mas j\u00e1 se come\u00e7am a abrir brechas entre o Sul e o Norte, e a energia \u00e9 o cerne da quest\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":2272,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[367],"tags":[5,379],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2266"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2266"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2266\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2374,"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2266\/revisions\/2374"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cofinaboostsolutions.pt\/electric-summit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}